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The myths of Brazilian development

With an economy slightly affected by the international crisis in 2009, and the hosting of international events such as the Football World Cup in 2014 and Summer Olympics in 2016, Brazil has become the country of the hour. The longing for international recognition as a global leader is not new and has been the final goal of pretty much every foreign policy designed by our Ministry of Foreign Affairs in the past decade. I call this “the under development complex”, a phenomena observed in many developing countries with fast economic growth who are in that transitional phase into becoming a developed country. There is a need for international recognition and every decision made has this goal in mind (for good or bad).

 

The problem is we want to be recognized for something we are not. Brazil is very far from becoming a developed country, simply because development does not mean positive macroeconomic indicators alone. We have failed public education and health system, infrastructure is deficient, we lack strong human rights and environmental laws and our political institutions are swimming in corruption. With so many problems, most of them coming down to corruption, it is impressive how we still vote for the politicians who are involved in all sorts of scandals.

 

When I see news like the election of Renan Calheiros, a man who is being investigated for fraud by the Supreme Court, as president of the Senate I feel like I am being laughed at. I think they all think of us voters as idiots who are their source of entertainment and income. The latest joke was the election of Marco Feliciano as President of the Human Rights and Minorities Commission. Feliciano is a Minister of one of the Protestant Churches in Brazil and is known by his racists and homophobes comments in many occasions. As a human being I feel outraged about this and as a Brazilian I feel ashamed.

 

What I fail to understand is how can a homophobe and racist politician become president of the Human Rights and Minorities Commission? I also fail to understand how could Blairo Maggi, a man who won the Golden Chainsaw Award by Greenpeace in 2005, be the President of the National Environment Commission. Again, I feel like I am being laughed at and that politics are being mocked.

 

About two years ago, in Uganda, an Anti-Homosexual Bill was proposed to the national senate, which included death penalty for homosexuals in the country. About a week ago the United States was voting to approve a law on equal marriage rights. Sadly, I feel like we are closer to Uganda in that matter. Even sadder, is that I think: at least this guy is not racist like our beloved president of the Human Rights and Minorities Commission.

 O rei da soja matogrossense Blairo Maggi ocupa um lugar de onde nunca deveria sequer se aproximar: a Comissão de Meio Ambiente do Senado

These things do not happen in a serious country. We like to brag to the world that we are a global leader, an international power, and a developed country, but in truth we are still a crawling baby when it comes to human rights, corruption, environment, infrastructure, education, health services and many other social factors.

 

 

  

 

 

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Orgulhos e preconceitos

Sightsavers Team

Em junho de 2010 eu iniciei meu trabalho com a ONG de origem inglesa, chamada Sightsavers. Sightsavers tem seu trabalho focado em duas áreas: Eye care e inclusão social. A área de eye care é o carro chefe da Organização e tem obtido enorme sucesso. Atualmente é reconhecido que 80% dos casos de cegueira são evitáveis se previnidos ou tratados em estágio inicial. A área de inclusão social, contudo, é de enorme importância e vem ganhando bastante força nos últimos anos. Um estudo recente da Organização Mundia de Saúde (OMS) revelou que 87% dos casos de deficiência visual se encontram em países em desenvolvimento, o que demonstra uma relação causal entre pobreza e cegueira. Não é uma simples relação de causa e efeito, mas um perigoso ciclo vicioso, uma vez que deficiência visual (assim como qualquer outro tipo de deficiência) também leva à pobreza seus portadores. Dessa forma, a área de inclusão social é de extrema importância para se prevenir doenças visuais e também para garantir que atuais portadores sejam reais cidadãos de seus países.

 

White Cane Day 2010

O diretor da Sightsavers na Tanzânia decidiu que pelo meu background profissional, seria melhor me alocar na área de inclusão social, no projeto que eles têm em parceria com uma ONG local chamada, Tanzania League of the Blind. TLB não é apenas uma ONG dedicada aos deficientes visuais; é uma ONG criada e operada por eles. Esse é o diferencial que faz deles uma Organização tão especial. Ter uma deficiência (seja ela qual for) não deve ser fácil. Ter uma deficiência num país em desenvolvimento é quase o final dos tempos. E foi por isso também que eu fiquei tão feliz em ter sido alocada nesse projeto. As pessoas que lideram TLB são meus ídolos. Eles têm suas batalhas pessoais para vencer todos os dias, mas se dedicam integralmente à causa geral e brigam pelo direito dos outros.

 

Makalala School, Iringa

Aqui a situação é muito precária, não só em termos estruturais, mas principalmente no que se refere aos direitos dos deficientes em geral (não só os visuais). Existe uma grande barreira política, mas o mais crítico é a barreira social. A cultura local aqui é a mesma que existiu por muitos séculos em outros lugares: a de que deficientes são pessoas inaptas à vida em sociedade. O país é muito pobre (ocupa a 148ª posição no ranking mundial de IDH) e consequentemente a maioria da população não tem acesso à informação. O resultado disso é um quadro social muito crítico, em especial no interior, no qual famílias escondem filhos com deficiência por vergonha, os impedindo de ter tratamento médico apropriado, acesso à educação e a todos os serviços a que possuem direito como cidadãos. Por conta desse preconceito que muitas vezes dentro das próprias famílias, não existe sequer um senso confiável acerca do número de deficientes no país.

 

Njombe, Iringa

Em 2011, iniciamos um projeto de desenvolvimento dos escritórios locais da TLB. Durante a fase inicial fomos aos distritos e entrevistamos deficientes visuais para fazer uma avaliação das condições de vida dos cegos uma região chamada Iringa. As constatações, apesar de antecipadas, foram muitos tristes. A principal delas foi que 50% dos entrevistados vivem abaixo da linha da pobreza, ou seja, com menos US$ 1 por dia. Apenas 6,1% possui nível superior e apenas 40% possuía conhecimentos em Braille. Pior do que os números foi ver pessoas tão pobres que não estavam sequer usando sapatos. Existem coisas tão distantes da nossa realidade que mesmo vendo com os próprios olhos é difícil de acreditar…

 

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